Revengeance, do Conan, é o álbum mais pesado do ano

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Bárbaros modernos deixam a brutalidade só na música mesmo (Foto: Reprodução/Conan)

É meio pretensioso falar isso, ainda mais estando no fim de janeiro, mas a sensação ao ouvir Revengeance é de que ninguém pode fazer um som mais pesado do que o Conan, nem se quisesse. A temática medieval e a atmosfera densa proporcionada pelas afinações em drop F retornam, desta vez em ritmo mais acelerado e brutal.

Conan é um trio de Merseyside, no Reino Unido, formado por Jon Davis (guitarra e vocal); Chris Fielding (baixo), e o recém-chegado Rich Lewis (bateria). O lançamento oficial acontece nesta sexta-feira (29), pela Napalm Records, mas está disponível na íntegra na Noisey desde segunda-feira (25). 

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Violência é uma das marcas de Conan, o Bárbaro. Corte de ilustração de Hugh Rankin para a Weird Tales Magazine, em 1934

O nome facilmente sugere a principal inspiração ideológica para a banda. Mas, por mais difícil que seja, tente não pensar no personagem do Schwarzenegger. Procure imaginar outro bárbaro de pelo menos dois metros de altura. Quebrando crânios de um bando de saqueadores no deserto, usando um tacape. Enquanto ouve o lamento das mulheres. Para ilustrar ainda melhor o som do trio inglês, a cena deve se desenrolar com o máximo possível de sangue na tela.

Uns podem pensar que os temas medievais – mais especificamente, a literatura de espada e feitiçaria (tradução livre de sword and sorcery) combinam mais com vertentes do power metal, mas uma vez mais Jon Davis mostra que os guerreiros de espada em punho combinam com o doom tanto quanto as feiticeiras modernas e o satanismo.

Aí entra em cena Robert E. Howard, criador do personagem Conan. O autor se correspondeu com H.P. Lovecraft, um dos principais influenciadores dos temas de horror do doom metal, até os últimos dias de sua vida. O resultado foi o intercâmbio de certos elementos nas histórias de ambos. O sword and sorcery se popularizou através do trabalho de Robert e era publicado na revista Weird Tales, junto às histórias do próprio Lovecraft.

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Robert Erving Howard foi um dos precursores da fantasia medieval (Foto: Autor desconhecido, escaneada de Conan, the Phenomenom)

Os amigos Howard e Lovecraft, entretanto, partilhavam uma visão diferente de mundo, que aparece nitidamente em seus respectivos trabalhos. O primeiro defendia que a civilização priva o homem de seus instintos mais naturais. Já o segundo acreditava que a civilização era o pico da evolução humana.

Essa oposição entre civilidade e barbárie também aparece na banda Conan. Primeiro na própria trajetória, que começou em 2006 como um meio de fugir da realidade através da temática medieval; e depois nas letras mais maduras de Revengeance, que não tratam exclusivamente das vitórias em campos de batalhas. Em entrevista à Noisey, Jon Davis fala sobre as mudanças na maneira como encara a morte e sobre como isso afeta a música.

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Revengeance trata de temas medievais sem ser clichê

Musicalmente, Conan é tão brutal quanto se espera do rei dos cimérios. A começar pela timbragem dos instrumentos, tocado com sabe Deus quantos amplificadores e em afinações abissais. O drop F das guitarras acabou tornando-se uma de suas marcas registradas, e o baixo tem afinações tão surreais quanto. As cordas devem ser um problema.

O foco principal continua sendo a intensidade do som. O efeito quase hipnótico de ouvir as frequências baixas do instrumental dos caras é o mesmo, apesar das mudanças de ritmo. O resultado é uma experiência estética absurda e mais envolvente em relação aos outros discos.

Ao contrário de outros releases, em Revengeance as músicas são, no geral, mais rápidas. Temos esta visão em Throne of Fire, que abre o CD com vocais urrados como imagino que sejam os gritos de batalhas das hordas da Era Hiboriana. Como eu ia dizendo, os apresenta uma versão mais polida dos talentos musicais do grupo.

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Guitarras e vocais de Jon são o ponto de partida de Conan (Foto: Reprodução/Conan)

Thunderhoof nos atinge com uma força arrebatadora, repleta de riffs pesadíssimos. É onde podemos notar bem a importância das afinações baixas para o som do grupo, onde o baixo soa realmente como trovões em uma tempestade. Infelizmente, nesta faixa tudo acaba soando muito parecido, sem uma distinção tão clara do que é realmente guitarra e do que é o baixo.

Wrath Gauntlet evoca sentimentos primitivos através de uma faixa longa e densa, com quase nove minutos do Conan arrastado de álbuns anteriores. Os vocais são ainda mais rasgados do que em Throne of Fire, chegando a um quase gutural. Revengeance é uma das melhores do disco, rápida, pesada e agressiva. Foi liberada no formato de single.

Every Man is an Enemy nos coloca em meio aos cenários de batalhas medieviais através da homenagem à selvageria que os ingleses nos proporcionam. A jam Earthenguard, por sua vez, é a música de alguém se arrastando para fora de um abismo. São 11 minutos que concluem o disco sintetizando a viagem em que somos levados e nos trazendo de volta à vidinha normal, infelizmente sem princesas e espadas.

Conan evoluiu de forma absurda em relação aos seus trabalhos anteriores, tanto em qualidade musical quanto de produção, e não a toa se posicionam cada vez mais como um dos principais nomes da música pesada do mundo. Revengeance recria fantasia medieval de forma madura e o uso de tons baixos resulta em uma ambientação muito rica.

Revengeance estará disponível em vinil a partir desta sexta-feira (29), pela Napalm Records. Custa €20.99. Em formato digital, na iTunes, por US$10.99. Novidades devem aparecer no BigCartel e no BandCamp da banda em breve.

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