Red Mess: viagem densa e caótica

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Red Mess apresenta sonoridade intensa e caótica (Foto: Renan Casarin)

A Red Mess faz um som pesado e com referências variadas – desde o beabá Black Sabbath até o King Crimson, citando apenas algumas. Proporciona constantes bad trips com faixas longas, densas e progressivas. Após lançar dois EPs digitalmente, o trio de Londrina (PR) se prepara para iniciar a produção de seu primeiro full-lenght.

A “confusão vermelha” busca exaltar sentimentos primitivos através das composições. “Vermelho é a cor dos sentimentos mais instintivos, como a violência e a paixão”, explica o baixista Lucas Klepa, um dos letristas da banda.

Além dos EPs Crimson (2014) e Drowning in Red (2015), os rapazes têm dois clipes lançados. O primeiro é Daybreak’s Dope, gravado em uma live session pelo produtor Renan Casarin. Depois, lançaram Trapped In My Mind, vídeo de produção caseira, com direção da amiga e então acadêmica de Artes Visuais, Ana Laura Leal.

Red Mess é formada por Thiago Franzim (guitarra/vocal); Lucas Klepa (baixo) e Douglas Labigalini (bateria). Conversamos com o trio para entender um pouco melhor o conceito por trás da banda e a história de sua formação, em entrevista originalmente publicada no Randomiza.

MUSICALIDADE

THIAGO: Nós estamos em um constante processo de composição no Red Mess. Logo depois do lançamento do nosso primeiro EP, Crimson, nós já tínhamos mais material para ser gravado. Coincidentemente o produtor do EP, Gustavo Di Iorio, nos convidou para gravar uns sons com um novo equipamento analógico que ele comprara. Esse segundo EP, assim como o primeiro, foi um trabalho bem espontâneo, nós simplesmente gravamos o que nós tocamos nos ensaios, sem muita produção.

Vemos o nosso segundo EP como um complemento ao Crimson. Por serem composições que fizemos bem próximas, a essência que norteava nossas músicas em continuava a influenciar o segundo EP, Drowning in Red. Desse modo, a sonoridade dos dois materiais possuem semelhanças que são complementares entre si, fechando um conjunto de EPs que são base para o álbum que pretendemos gravar em breve.

Douglas: Os nossos planejamentos pro futuro, com certeza, são de marcar várias datas pelo país, cair na estrada mesmo, fechando uma turnê de divulgação do primeiro álbum. Daqui pra frente pretendemos não lançar mais nada antes do álbum, focaremos totalmente na composição e shows.

CONCEITO

Klepa: Vermelho é a cor dos sentimentos mais instintivos, como a paixão e a violência. Eu até diria que quando o ódio tira a razão, os pensamentos se tornam rubros, e é essa monocromia que nos tira o discernimento dos fatos. Nós deixamos que nossas músicas, de maneira humanista e caótica, expressem esse instinto irracional. Cegados pela venda vermelha.

Thiago: As nossas letras falam sobre questões existenciais e filosóficas, elementos ligados ao interior do ser humano, mas sem muita complexidade,. As letras são minhas e do Lucas Klepa. Nós gostamos das aventuras mentais que o cérebro humano é capaz de empreender, nossa própria consciência nos remete ao caos, a bagunça. Cabe muito bem ao nosso som falar sobre essas coisas.

Klepa: A bagunça é inerente a nós três. É como um caos que tentamos sistematizar, ainda que caoticamente.

Thiago: Mas também não existem regras para a composição das letras. Até o momento as que predominaram falam desses assuntos, mas não nos limitamos a apenas isso. A linguagem é uma forma muito vasta para se expressar, e junto com a nossa musica podemos explorar diversos assuntos e conceitos.

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Som arrastado surgiu naturalmente nas composições dos três (Foto: Guilherme Novaes)

COMPOSIÇÃO

Klepa: Muitas vezes as composições são feitas de maneira organizada. O Thiago é o principal arranjador da banda e nos traz uma música já composta para lapidarmos juntos. Mas também mergulhamos muito fundo nas jams que fazemos e muitas vezes tiramos daí ideias que se transformam em músicas.

Thiago: Em nosso som buscamos mesclar o stoner com elementos progressivos. O rock progressivo abre portas para a experimentação sonora. Além das complexas estruturas musicais, o prog nos remete a busca por combinações de notas não convencionais, assim, produzindo sons diferenciados e de um jeito peculiar que precisam ser mais explorados pelas novas gerações musicais. Nós adotamos esses elementos às nossas musicas pela liberdade de criação que temos nesse ambiente de infinitas possibilidades.

Como qualquer banda de stoner a nossa maior influencia é Black Sabbath, simplesmente por eles serem os precursores desse gênero.Escutamos muito Kyuss, Sleep, Queens ofthe Stone Age, Electric Wizard, entre outras. Além do stoner escutamos muito rock progressivo, jazz, musica eletrônica, samba, funk americano, funk carioca… Ou seja, em relação a musica somos muito abertos para qualquer tipo de manifestação e todas elas nos trazem algo que podemos usar em nossas músicas.

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Amigos de infância Thiago e Doulgas descobriram o stoner rock com a chegada de Lucas Klepa (Foto: Reprodução/Red Mess)

HISTÓRIA

Douglas: Eu e o Thiago somos amigos de infância, curtíamos os mesmos sons, as mesmas bandas, mas nada relacionado com o stoner, somente rock n’ roll. Já tínhamos uma banda que se chamava Sküllage Coopers. Por acaso, um dia estávamos ensaiando num estúdio em que o Lucas também estava, mas em outra sala, com outra banda. Nisso, entramos pra assistir o ensaio, começamos a ouvir e eu prestei atenção – enquanto ele tocava uma música do Pink Floyd – e vi que o cara no baixo tinha habilidade.

Passado um tempo, começamos a procurar um novo baixista, na hora lembrei do cara do Pink Floyd daquele dia no estúdio. Mandei uma mensagem pra ele no facebook e ele acabou aceitando ficar na banda e participar dos nossos experimentos musicais.

Quando o Lucas entrou pra banda, ele já tinha uma bagagem musical/canábica maior que nós. Em um ensaio ele pediu pra que tirássemos “Dragonaut” do Sleep. Chegando em casa, ouvimos e vimos como aquilo era mágico e potente, na mesma hora nós nos apaixonamos e começamos a procurar mais bandas do gênero e entrar de cabeça nesse meio musical.

Thiago: Foi muito espontâneo e natural, assim que nos tornamos um trio, começamos a compor musicas focadas nesse estilo mais lento e denso e simplesmente deu certo. Por escutarmos muito esse gênero é inevitável que ele influencie na hora que compomos, e felizmente nós conseguimos sintetizar as nossas influencias de forma que as músicas soem bem!

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Red Mess se mostra otimista sobre o crescimento da cena stoner rock (Foto: Guilherme Novaes)

A CENA

Douglas: Aqui no Sul temos ótimas bandas de Stoner Rock, cito a Space Guerrilla em especial. A cena aqui no Sul começa a mexer os pauzinhos, com eventos surgindo e até os Stoner Fests. E sim, nas outras regiões do Brasil temos alguns contatos espalhados por aí, graças a internet. O Brasil é regado de bandas boas, como  Muñoz, Hellbenders, Overfuzz, Fuzzly (preferências minhas).

Londrina é recheada de música boa também, de todos os estilos. Além de nós, por aqui tem a banda Dizzaster, que faz um stoner rock bem foda também. Aconselho a ouvirem além do Dizzaster, a banda Mescalha, de Londrina também e que faz um trabalho sensacional.

Klepa: Depois que começamos a tocar, conhecemos muitas outras bandas pela internet que tocam um estilo que se aproxima ao nosso, que talvez  poderia ser chamado de stoner psicodélico. Mas ainda isso é muito  devagar, as bandas estão separadas por centenas e milhares de quilômetros de distância e produzem seus materiais quase que por conta própria, sem nem de longe o devido reconhecimento. É agoniante ver artistas valorosos carentes de um público a sua altura, mas por outro lado, é visível o crescimento da cena a cada dia que passa. Temos boas expectativas para os próximos anos.

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