Psicodelia à japonesa nas ruas de Curitiba

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Jucksch e Murakami, em clipe de ‘Domes’ (Foto: Natasha Durski)

Da Zai lançou o disco que eu mais gostei de ouvir nesse ano até o momento. Bateu o Conan. São incontáveis referências à arte do Japão, feitas por quem conhece a cultura além da superficialidade. Sem animes, sem salarymen e muito além de programas de auditório malucos. Após dois anos de produção, o prog saiu em Shogyoumujou, em 27 de maro. Entendo pouco de rock progressivo, portanto este post possivelmente será mais informativo, no sentido de organizar fontes de inspiração da banda e apresentar parte do maravilhoso mundo da psicodelia japonesa, caso você ainda não a conheça.

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Cerrado pesado com estreia do A B I S M O

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É o abismo mesmo desenhado aí na capa (Arte por: Júlio Lapagesse, Luiz Poletto e Abismo. Logotipo por Bianca Ardanuy)

O cerrado tá bem pesado. Desta vez não é Goiás, e sim Brasília. Algumas semanas atrás nasceu o A B I S M O, composto por integrantes de outras bandas da capital brasileira. all beyond perception trata de temas reais e oníricos sob a ótica de se estar na beira. Faz isso através da união dos anos 70 com elementos sonoros de décadas posteriores, fugindo das referências já clássicas (pra não falar manjadas) do stoner/doom/sludge/etc.

Algumas das temáticas das letras são reflexões sobre a vida, aparentemente com fortes sentidos espirituais. A descrição do disco no Bandcamp parece fazer referência à No Limiar do Abismo, livro espírita escrito por um médium e um espírito. Não tenho muito conhecimento sobre esses temas, mas o livro propõe uma reflexão sobre a vida e a morte, as trevas exteriores e ausência de luz no Ser. Mas Limiar do Abismo também é uma dungeon do Diablo e Fernando Pessoa faz menções ao Limiar e ao Abismo em alguns poemas, então sei lá.

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A trip to psychedelic India with Cosmic Letdown

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By the time of their first album, people compared Cosmic Ledown with Pink Floyd during Syd Barrett era (Photo by: Cosmic Letdown)

Important note: text written by a non-native english speaker. If you find any mistake, please leave us a comment!

The opening played in a sitar shows us the way: the spiritual side of India. We are slowly dragged away from Earth, levitating until we are out of this planet. In the Caves, second play by russian Cosmic Letdown creates a calm, meditative atmosphere, unshaken even by distorted guitars.

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Introspective black metal in Serena, new Gray Souvenirs’ album

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Minimalism of this photography is also part of musicality (Photo: Gray Souvenirs)

Important note: text written by a non-native english speaker. If you find any mistake, please write us a comment!

Black metal and poetry hardly goes side by side. The scandinavian musicians have their own aesthetic in their satanistic and extremist music and personality, of course, but I refer to the most banal meaning of “poetry”. “Poetic”, as something beautiful and pleasant to ears or soul, can’t describe Gray Souvenirs. It is a brazilian representant of a modern variation of black metal, which incorporates the introspection of shoegaze to spread emotions in those 144p recorded sounds.

Serena is their new full lenght, released in March 6th. Gray Souvenirs is composed of Putrefactus (look, our first reference to oldschool black metal), who composes and plays all the instruments. An analysis of the name reveal important traits of his music: gray is about the “colour of the cities” and souvenirs is a homage to Alcest, french band of a genre called blackgaze.

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Sons góticos e arrastados em estreia do Black Mantra

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Castlevania é a minha franquia preferida de videogame. A cada século, o conde reencarna e você tem que entrar no castelo e destruí-lo. Em março desse ano, ele apareceu em Vitória da Conquista (BA). Triste, tomando vinho e usando substâncias duvidosas. A trilha sonora é From the Graves of Madness, EP de estreia do Black Mantra. Ao contrário do Castlevania, as músicas são muito mais preto e branco. É melódico, tem apoio forte de teclas e riffs lerdos e arrastados.

Brincadeiras à parte, o EP capta mesmo uma ideia menos romantizada (e moderna) de vampiros e zumbis. Black Mantra não chega a ser gótico, mas deve muito a eles, seja pelo arranjo de órgão, seja pela temática, seja pela atmosfera das músicas. E também a clássicos do doom metal, claro, como os bruxos do Candlemass. Além de que, se possível, o vocalista (guitarrista e organista) Dimitri Garcez certamente daria um aperto de mão no Peter Steele, do Type O Negative.

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Novo EP do Concreto Morto é um glitch conceitual

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Somos praticamente escravos do ‘ter que fazer algo’ (Foto: Corte em arte de Concreto Morto)

A necessidade de produzir sempre foi antagonisa do desejo de criar” é o último lançamento dos curitibanos do Concreto Morto. O título absurdamente longo e a reflexão pessimista que ele sugere me lembram post rock, mas as intenções da banda vão mais pro glitch art. Assim como os borrões pixelizados não fazem sentidos, o EP também não tem pé nem cabeça. Se é bom ou não, fica a seu critério.

Antes de dar play nestas cinco faixas (ouça todas de uma vez, pelo menos de primeira), é importante lembrar que A necessidade de produzir… foi lançado junto com um zine produzido pela banda e com colaboração de alguns artistas. A revista apresenta artes que conversam com a estética marginal do EP e expande os pensamentos acerca da modernidade e da alienação que são expostas nas músicas. O áudio parece ser um bônus do zine.

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Black metal introspectivo em Serena, novo play do Gray Souvenirs

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Minimalismo da fotografia de Serena é parte integrante da musicalidade (Foto: Reprodução/Gray Souvenirs)

Black metal e poesia dificilmente andam lado a lado. Não que o gênero escandinavo não tenha sua própria poética dentro do contexto satanista e estética extrema das músicas e modo de agir. Me refiro ao uso mais banal da palavra ‘poesia’, que evoca sentimentos bonitos e uma estética agradável aos ouvidos. Gray Souvenirs é um representante brasileiro de uma variação moderna do black metal, que incorpora a introspecção do shoegaze para dar asas aos sentimentos presentes nos sons gravados em 144p.

Serena é o novo full lenght da banda, lançado em 6 de março. Gray Souvenirs é composta por Putrefactus (olha aí a nossa primeira referência ao black metal tradicional), responsável pela composição e execução de todas as faixas. Analisando o nome, já temos pistas importantes da musicalidade: gray se refere ao cinza das cidades e souvenirs é uma citação à Alcest, banda francesa por vezes intitulada de blackgaze.

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