Giant Gutter from Outer Space remains chaotic in Stumm

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Hernan Borges and Johnny Rosa united for the first time 15 years ago, more or less (Photo by: Bruna Torrezani)

Important note: text written by a non-native english speaker. If you find any mistake, please leave us a comment!

First thing I asked Johnny Rosa, drummer for Giant Gutter from Outer Space (GGfOS, in short) was if they were going to do something slower in their new EP. Answer was: “I don’t know, we did not think about it. I’m curious to see if it is true”. Well, Stumm was released April 6th and here is your chance to opine about the new tracks, created by him and bassist Hernan Borges.

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Giant Gutter from Outer Space continua caótico em Stumm

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Hernan Borges e Johnny Rosa tocam junto há uns quinze anos, mais ou menos (Foto: Bruna Torrezani)

A primeira coisa que perguntei ao curitibano Johnny Rosa, baterista da Giant Gutter from Outer Space (GGfOS, pra economizar toques) foi se eles iam fazer algo na linha mais arrastada no novo EP da banda. A resposta foi: “Não sei, não paramos pra pensar nisso. Estou curioso pra saber se essa sua opinião procede”. Pois bem, Stumm foi lançado nesta quarta-feira (06) e aqui vai a primeira chance de opinar sobre as novas faixas do duo composto por ele e pelo baixista Hernan Borges.

A minha opinião inicial foi de que sim, o som estava mais lento. Foi o que pensei ouvindo Nowness, teaser liberado (e depois renomeado) pelos caras no Bandcamp. Me enganei. Correndo o risco de soar clichê, percebi que o caos continua regendo a composição da dupla. As músicas têm cara de não ter pé nem cabeça, mas aos poucos são organizadas na prática, conforme as faixas progridem. Não são rápidas e nem lentas, já que esses dois conceitos são simplistas demais para definir os sons que apresentam desde a estreia, em Set Adrift.

É até curioso que o EP se chame Stumm, verbete alemão traduzido como mudo, já que, em geral, GGfOS se propõe a ser barulhento. Além disso, é um poema de Kurt Schwitters, trazendo novamente referências literárias ao duo. Sturm (outra palavra alemã, desta vez significando tempestade) até começa devagar, mas dura pouco tempo. A faixa intercala melodias e harmônicos com riffs sujos e agressivos, em uma espécie de bipolaridade (olha aí o cara romantizando problema de saúde sério) musical. Ruinen (Ruínas) puxa mais para esse lado da desolação produzida pela distorção e habilidade de composição/técnica de Hernan.

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Conversamos com o Johnny sobre origens e sonoridade da banda (Foto: Andreza Francisco)

Isso é mais ou menos o cotidiano criativo da dupla. “Você nunca vai escutar a mesma pegada no nosso som”, conta Johnny. “Por nos deixarmos levar pelo momento, pelos humores, pela diversão e pelo prazer de fazer o que fazemos, o som responderá a esses estímulos”. É o que rolou na série de apresentações da banda em São Paulo, em datas próximas às sessões de gravações no Family Mob. “De fato, não definimos um set para shows. Tocamos o que temos vontade, absorvidos pelo momento (e por umas e outras, claro)”, brinca.

O rolê por Sampa rendeu também a gravação – e composição em tempo recorde – das faixas. Stumm foi gravado pelo projeto Converse Rubber Tracks, o que significou acelerar todas as etapas do processo. Em duas semanas, as faixas estavam prontas. Foram no estúdio no final da manhã e à noite voltaram com o material pronto. O lançamento oficial fica por conta da Sinewave, Terranean Records e Splitting Sound Records.

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Uma galera diz que os dois músicos tocam por quatro, e eu não duvido (Foto: Andreza Francisco)

Stumm é o primeiro de uma série de lançamentos programados para abril e maio. No meio de abril sai The Edge Within. O primeiro full é Black Bile, a ser lançado nos primeiros dias de maio. Duas das seis faixas estão disponíveis no BandCamp, pra dar uma aquecida.

Toda essa produção e alta qualidade musical só é possível por causa do entrosamento da dupla. Isso permitiu, inclusive, improvisações em Stumm, mesmo com o pouco tempo disponível de trampar nas faixas. Johnny Rosa e Hernan Borges se conheceram há vinte anos no underground da música extrema. “Tocamos juntos faz um bom tempo, talvez uns 15 anos. Acredito que isso tenha possibilitado que dialogássemos com certa fluidez”, descreve o baterista. Além da GGfOS, eles tocam juntos também no anmod, projeto de death-grind.

Vai ter coisa pra caramba acontecendo com a Giant Gutter from Outer Space nos próximos tempos, incluindo lançamentos físicos e turnê por vários estados. Acompanhe os caras pelo Facebook e Bandcamp, onde todos os sons estão disponíveis para stream e compra.

Novo EP do Concreto Morto é um glitch conceitual

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Somos praticamente escravos do ‘ter que fazer algo’ (Foto: Corte em arte de Concreto Morto)

A necessidade de produzir sempre foi antagonisa do desejo de criar” é o último lançamento dos curitibanos do Concreto Morto. O título absurdamente longo e a reflexão pessimista que ele sugere me lembram post rock, mas as intenções da banda vão mais pro glitch art. Assim como os borrões pixelizados não fazem sentidos, o EP também não tem pé nem cabeça. Se é bom ou não, fica a seu critério.

Antes de dar play nestas cinco faixas (ouça todas de uma vez, pelo menos de primeira), é importante lembrar que A necessidade de produzir… foi lançado junto com um zine produzido pela banda e com colaboração de alguns artistas. A revista apresenta artes que conversam com a estética marginal do EP e expande os pensamentos acerca da modernidade e da alienação que são expostas nas músicas. O áudio parece ser um bônus do zine.

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Set Adrift e a guitarra que não faz falta

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Hernan Borges (baixo) e Johnny (bateria) são amigos e parceiros nas experimentações musicais (Foto: Cesinha Marin)

Quando foi a última vez que você ouviu rock feito sem guitarras? Não tem muito disso por aí, mas geralmente, quando acontece, o resultado é especial. O mesmo acontece em Set Adrift, EP de estreia dos curitibanos da Giant Gutter from Outer Space, lançado em janeiro de 2016 pela Sinewave Label. São cinco faixas instrumentais que mostram a versatilidade dos músicos em criar composições dinâmicas e experimentais.

Se você assistiu ao Royal Blood, no Rock In Rio, pode estar pensando que tem algo a ver, mas não é bem por aí: o trabalho dos brasileiros é muito menos estruturado. A musicalidade é baseada no noise e no post rock, gêneros fortemente marcados pelo experimentalismo.

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Bowie, o profeta da própria morte

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Bowie, em 75:  40 aos depois,  sonoridade experimental caracteriza último disco (Foto: Jean-Luc Ourlin)
No dia 10 de janeiro Bowie faleceu. No dia oito, se despediu. Blackstar é a conclusão do legado deixado pelo Camaleão, que se metamorfoseou pela última vez na forma de jazz, acompanhado por um experiente quarteto. O álbum foi lançado dois dias antes do falecimento do cantor, mas parece fazer ainda mais sentido agora que ele se foi.

A swan song (algo equivalente a “último suspiro”) de Bowie está repleta de simbolismos envolvendo a passagem para outra vida. Começa pelo nome do álbum: Blackstar, estilizado , se refere à estrela negra comum nas lápides para marcar o nascimento – indicando que sim, ele está vivo, através da arte.

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