Psicodelia à japonesa nas ruas de Curitiba

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Jucksch e Murakami, em clipe de ‘Domes’ (Foto: Natasha Durski)

Da Zai lançou o disco que eu mais gostei de ouvir nesse ano até o momento. Bateu o Conan. São incontáveis referências à arte do Japão, feitas por quem conhece a cultura além da superficialidade. Sem animes, sem salarymen e muito além de programas de auditório malucos. Após dois anos de produção, o prog saiu em Shogyoumujou, em 27 de maro. Entendo pouco de rock progressivo, portanto este post possivelmente será mais informativo, no sentido de organizar fontes de inspiração da banda e apresentar parte do maravilhoso mundo da psicodelia japonesa, caso você ainda não a conheça.

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“Abelha faz mel, não mal”: o surf psicodélico dos Apicultores Clandestinos

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Apicultores Clandestinos chamam atenção desde o momento em que sobem no palco (Foto: Cena Livre)

Meu cérebro deu uma travada quando conheci os Apicultores Clandestinos. Era surf music, mas sem praia, com um ar campestre muito forte. Depois, descobri que se vestem de apicultores pra tocar – dependendo da safra, dão mel e cachaça nos shows. E por último, mas não menos excelente: samplearam um filme do João Amorim em seu último trabalho, Astronauta do Campo (2015). Tudo tem um ar teatral, de modo que o quarteto pareça meio astronauta, meio apicultor, e meio personagem de história em quadrinhos.

Foram motivos o suficiente para me fazer entrar em contato. Quem me respondeu foi o Apicultor Maclane, entre folgas na extração de mel em Rio do Sul. O restante da banda colaborou pontualmente nas respostas, via Whatsapp. São eles: os Apicultores Mussum, na bateria; Borto, na guitarra; e Marroney, no baixo.

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Três Quartos é a nova aventura ácida d’A 25ª Experiência

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Paulistanos psicodélicos tem um EP e um álbum completo em dois anos de trajetória (Foto: Raquel Schwengber)

São Três Quartos porque tá faltando uma peça do quebra-cabeça das crianças (DESCUBRA). A 25ª Experiência lançou neste sábado (20) suas três novas faixas, que compreendem, principalmente, viagens tóxicas e interplanetárias. Estas são as primeiras gravações desde Horizonte de Eventos (2014), e mantém o estilo prog apresentado pelos paulistanos em seu primeiro álbum, mas de forma mais compacta.

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Caracol, a expansiva arte zen do Arabesco

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O homem é uma das figuras principais da arte de Arabesco (Corte em arte de Caetano Vidal Pinotti)

“Na verdade, o grande fascínio de São Paulo é parecer-se com muitas cidades ao mesmo tempo e, por isso mesmo, não se parecer com nenhuma. Em alguns momentos, São Paulo se acha o máximo, em outros um horror. Nenhum lugar do planeta é tão maniqueísta”, escreveu certa vez Washington Olivetto. Em meio ao caos da maior cidade do país e captando diversas nuances da metrópole, nasceu Arabesco e seu EP de estreia, Caracol.

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Cosmic Letdown propõe viagem psicodélica pela Índia

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Som psicodélico dos russos rendeu comparações ao Pink Floyd de Syd Barrett (Foto: Reprodução/Cosmic Letdown)

A abertura do disco, tocada só na sitar, sugere para onde a viagem vai nos levar logo nos primeiros minutos: os lados espirituais da Índia. As cordas soam acompanhadas pelo som de tambores quase tribais na bateria. Somos tirados da Terra sem pressa, levitando até eventualmente deixarmos este planeta. In the Caves, segundo álbum dos russos do Cosmic Letdown, cria uma atmosfera calma e nem mesmo a distorção das guitarras abala o clima meditativo.

São cinco faixas, totalizando quarenta minutos de play. O disco foi lançado nesta segunda-feira (15), pela Sound Effect Records. De forma geral, In the Caves proporciona uma espécie de transe. As estruturas sonoras são repetitivas, se fazendo valer de momentos de jam para colorir a base das músicas. Isso acaba criando conexão entre as faixas, dando uma sensação de unidade que nos acompanha até o fim do álbum.

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Filme de terror do Pantanum é autêntico, lisérgico e arrastado

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Aspecto homemade é definidor da identidade do Pantanum (Foto: Reprodução/Pantanum)

O Monstro do Pântano curitibano é uma trindade. Menos como a Santa e mais como Beelzebub, Lucifer e Azazel. É cru, rasteja sem grandes preocupações comerciais, com improvisações e som obscuro, digno de trilha sonora de filme surreal alternativo. Dentro do Pantanum, apenas a mente das três cabeças criativas limita o resultado sonoro. Guiados por linhas bem desenhadas de sons arrastados e setentistas, levam-se apenas pela estética e pelo coração.

Não que o Pantanum vá fazer algo que se afaste muito da linha stoner/doom/psicodelia. Mas sim que empecilhos técnicos não impedirão a musicalidade de fluir. Prova disso é o Volume 1, lançado no ano passado com poucos recursos financeiros e grande repercussão online. Com pouco tempo disponível em estúdio, o álbum foi gravado em dois dias e lançado de forma totalmente independente, sem distribuidora.

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Fusão de gêneros define o stoner rock

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Sky Valley tornou-se um dos locais mais emblemáticos do stoner rock (Foto: Ron Gilbert/Flickr)

Nota: O texto original é What are the subgenres within Stoner Rock?, de autoria de Emre Can Serteli, originalmente publicado em inglês. Então, abaixo está a opinião dele acerca dos subgêneros e classificações dentro do stoner. Tradução por: Elyson Gums.

Como um fã de stoner/doom e pesquisador dessas músicas, digo que o stoner rock de hoje tem muitos subgêneros, gêneros relacionados e fusões. A principal razão é a grande quantidade de sons com a qual o gênero é associado. Dá até pra dizer que stoner rock é um termo guarda-chuva que abriga um monte de bandas não relacionadas. Bom, não sou profissional, mas vou tentar explicar o conceito do stoner e porque todas essas bandas estão inclusas na mesma cena. Esse artigo não é escrito sob um ponto de vista profissional, e sim do meu entendimento de música. Então fique a vontade pra corrigir, ouvir os exemplos e fazer as conexões você mesmo.

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