Cerrado pesado com estreia do A B I S M O

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É o abismo mesmo desenhado aí na capa (Arte por: Júlio Lapagesse, Luiz Poletto e Abismo. Logotipo por Bianca Ardanuy)

O cerrado tá bem pesado. Desta vez não é Goiás, e sim Brasília. Algumas semanas atrás nasceu o A B I S M O, composto por integrantes de outras bandas da capital brasileira. all beyond perception trata de temas reais e oníricos sob a ótica de se estar na beira. Faz isso através da união dos anos 70 com elementos sonoros de décadas posteriores, fugindo das referências já clássicas (pra não falar manjadas) do stoner/doom/sludge/etc.

Algumas das temáticas das letras são reflexões sobre a vida, aparentemente com fortes sentidos espirituais. A descrição do disco no Bandcamp parece fazer referência à No Limiar do Abismo, livro espírita escrito por um médium e um espírito. Não tenho muito conhecimento sobre esses temas, mas o livro propõe uma reflexão sobre a vida e a morte, as trevas exteriores e ausência de luz no Ser. Mas Limiar do Abismo também é uma dungeon do Diablo e Fernando Pessoa faz menções ao Limiar e ao Abismo em alguns poemas, então sei lá.

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Lançamentos recentes reforçam importância do stoner paranaense

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Colagem tosca feita por Wall of Yawn. As artes originais pertencem à Tropical Doom, Stolen Byrds e Loladéli (esq p/ dir)

Se for colocar na ponta do lápis, o estado que mais apareceu aqui no blog é, de certeza, o Paraná. Mais três releases, da semana passada e dessa, vão fazer com que essa conta aumente ainda mais. As novas opções de stoner paranaense pra conhecer nesta semana são lançamentos de: Stolen Byrds e Loladéli representando o interior do estado, e Tropical Doom, da capital. Cada uma delas renderia facilmente um post separado, mas aí fica muito Paraná pra pouco blog.

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Literature, philosophy and stoner doom in Ruinas de Sade’s debut

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Here is Paulo, playing bass (Photo: Papoula Aniello)

Important note: text written by a non-native english speaker. If you find any mistake, please leave us a comment!

When I step inside the gate, I am welcomed by two very friendly dogs, which names I forgot to ask. In the second floor, Paulo Vitor Machado, bassist of brazilian stoner doom band Ruínas de Sade (“Sade’s ruins”, in english), waves at me and light one more cigarette. It’s the third pack of this week. When he was smoking the first or second, his band released it’s self-titlede debut, composed of three songs that goes around ten minutes each. Literature is there everywhere.

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Literatura, filosofia e stoner doom em debut do Ruínas de Sade

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Esse menino aí no baixo é o Paulo (Foto: Papoula Aniello)

Ao chegar, sou recepcionado por dois simpáticos cachorros cujos nomes eu esqueci de perguntar. No segundo andar, Paulo Vitor Machado, baixista da banda Ruínas de Sade, acena pra mim enquanto acende (mais) um cigarro. Naquela mesma tarde ele terminou o terceiro maço da semana. Dias atrás, enquanto ainda fumava o primeiro ou segundo, sua banda lançou o disco de estreia.

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Reflexive and sentimental debut of Erudite Stoner

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Tripping is constant in Erudite Stoner work (Crop in artwork by Nando Freitas)
Important note: text written by a non-native english speaker. If you find any mistake, please write us a comment!

Erudite and stoner are words generally not related. It’s a proposital paradox that defines brazilian violonist Erudite Stoner. He brings two opposite sides to the same album, with balance and harmony. Instrumental parts are filled with sadness and hope, horror and joy, minimalism and complexity. All at the same time.

During the 34 minutes of this self titled, we are accompained only by the guitar of Matheus Novaes, the Erudite Stoner. He is responsible for composition and execution of the whole album. Release took place in 2015 and is his first work. In his own words, tracks combine classical influences with “dark doom and minimalist post-rock to riffs of stoner rock and melancholic shoegaze”.

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Funeral Sex é muito mais do que outra amostra da pesada mão feminina

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Baixista Thaís Pancheri quer reconhecimento por capacidade musical, não por “ser uma mulher no rolê” (Foto: Eder Cardoso)

Mulher, mãe, e doom pra cacete. A galera muitas vezes não se dá conta na primeira ouvida, mas Thaís Pancheri é responsável pelas linhas de baixo da paulista Funeral Sex. Neste texto, inclusive, estou violando uma das principais políticas da banda de Rio Claro (SP): não destacar a imagem feminina para que a atenção não seja uma “musa do stoner”, e sim o peso do som feito pela banda.

Desde o início, ela foi firme na decisão de não ser o centro das atenções do material audiovisual da Funeral Sex. “Queremos que as pessoas ouçam a música e gostem ou não, sem que a presença de uma mulher influencie a opinião”, explica ela. A estratégia foi utilizada para tentar evitar problemas parecidos com os que já vimos em outro texto.

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Stoner rock também é lugar de mulher

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Foto: Reprodução/Samara and the Black Wolves

Samara Bueno quis explorar vertentes mais pesadas da música. Se uniu a dois amigos e criou a Samara and the Black Wolves. O grupo está se preparando para lançar um EP, e no momento alterna produção de música autoral com covers. O principal destaque, como o nome sugere, é a vocalista e guitarrista. Segundo ela, uma mulher tocando com o fuzz no talo e fazendo riff pesado ainda espanta.

“Ser uma mulher no rock é diferente de ser um homem no rock”, explica. Uma das dificuldades é superar o estereótipo de não tocar música pop, por exemplo. “Tem que provar que não é só a ‘menina que serve pra atrair’, mas um elemento que forma um todo”, comenta, sobre a questão de aceitação musical.

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